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Fantasma Insólita

Personagem escandalizada e interpretada por Juliana Miguel


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Meus posts
Nov 17 '12
Não faz sentido correr, correr, correr e depois poder voar sangrando vendo todos os tiros não ser contra você, mas deveria pois a culpa é toda sua.
A camisa rasgada, encostada a meio fio, agonizada pelas balbúrdias do frio e há sintonia naquele olhar que frisa todas as passarelas da vida.
Quantos parasitas vão subir na tua mente, escorrendo em tuas ventoinhas, sangue mais escuro que petróleo, as vísceras clamando por mais amor?
Todos os sentimentos esboçam como aurora boreal acima de nossas cabeças tão infinito como é dentro de nossas veias.
Imagina a quantidade de luz invadindo nossas vidas, entrando pelas nossas narinas e exalando através de sorrisos como missão cumprida.
Comprimentos não serão medidos, apenas a felicidade que chega gratuitamente em todos os quesitos e requisitos possíveis através dessa aurora.
A aurora mais sentimental que existe também a mais perigosa, nem todos podem ver muito menos sentir se pensas em lodo e escuridão.
Já vistes tanta felicidade que lhe deu vontade de chorar.
Os aplausos não a compraram, mas a levou ao céu tão celeste que não há satélites que alcançam.
O sétimo céu que só não é tão desejado porque pra chegar lá, precisa estar 7 palmos abaixo de nossos pés.
A viagem que não é necessária contagem de dinheiro muito menos check-in, apenas sentir o vento fresco em teu rosto e caminhar ao infinito.
Impagável ir pro além e trazer em tua bagagem nada além que o destino cicatrizado como tempo em teus franzidos de tua testa.
Plenamente satisfeita pelo corpo e mente que abduziu todo o desgosto alheio sente-se os dedos dos pés mesmo congelados porque o sangue que corre é mais quente que água de gêiseres.
Só não se é invencível porque nem a criatura mais perfeita lapidada pelo universo é.
Talvez porque pra ser forte precisa de algum sentimento de maldade e não só pregar bondade pelo mundo que é composto de duas versões de bens.
O dinheiro e a malícia sempre divididos pelos dois lados da tal, digamos ironicamente, da moeda.
Volúpias e desejos que perseguem a mente pura a convence de deixar de ser, por culpa do amor.
Arrepia-se só de pensar que poderiam estar juntos nos meus sonhos, talvez em um mundo paralelo ou num passado impensado.
E que mal há?
O vazio que tinha na alma foi preenchida com a tal luz, que é passageira a viagem onde proporciona sequelas imemoráveis de solidão.
Não quer ser compreendida porque nem ela mesma aceita tal desafio de entender sobre suas euforias, atitudes e falta dela.
Apenas sentia o que o coração (im)pulsa e o que engolira todos os dias a amargura sutil do que o tempo reparte e risca afiada como estilete.
Será um looping eterno, pois os efeitos acabam e a visão retorna à vida real e a alma clama por mais alguns gramas e minutos para saciar.
Chega a pedir anfetaminas para o doutor que simula toda sua vida como uma plena dependência química ilusória para estampar felicidade.
Tudo nela está em constante reforma, a obra sempre estará inacabada até após a morte. Volta pro corpo que sempre sentirá que tem mais a criar, mais pra desenvolver. Uma alma velha, rude e instável, mas ama e se envolve com o corpo que instala.
Não é narcisismo, é o lirismo pelo corpo e surrealismo pela alma que forma um só elemento.
Planos não cumpridos é um dom que a arrasta, ser que vive melhor com o que não é planejado.
Implanejável e inevitavelmente impossível aos olhos carnais, mas viajante com os olhos perceptíveis da alma.

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Nov 7 '12
Olhando de novo o seu reflexo no espelho.
Pálida, com as olheiras em evidência, desejou dormir até quando o sono for embora e mandar lembranças.
Dentre as dormidas, sonhos estranhos, sem sentido. Sua cama virou seu confidente.
Pra ver sua vida melhor que aquilo, só dormindo outra vez. Os sonhos, por mais esquisitos que fossem, eram melhores que toda essa má sorte misturada com desânimo quando acordada.
Iludiu-se tantas vezes, amou tantas outras que nem sabe mais o que é mentira e o que é verdade.
O conhaque que tem em sua cômoda, que não agrada nada seu pai quando entra no quarto e vê sempre mais um pouco vazia, é o que tira a solidão e deixa os sonhos mais loucos.
O quarto virou de fato, teu sanatório.
Quando sai do refúgio, comete pecados, dos piores.
Talvez os perigos que tenham acontecido por todo canto da capital, tenha lhe dado medo e resolvido por ficar infernada dentro de casa.
Só resta dormir. Mais uma gota de rivotril, conhaque à seu dispor e um toque de blues.

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Nov 7 '12
Da esquina pude ver, você ali, caminhando com a mochila nas costas, entrando para aula, com o fone de ouvido, ouvindo daquelas músicas de sempre, posso imaginar.
Não posso nem te contar o mal que carrego em minhas veias, a doença que corrói minhas células.
Não sei quanto tempo posso suportar. Não quero lhe contar, não quero que tenha dó de mim.
É possível você saber o quanto os meus olhos pesados têm sido inundados de lágrimas todos os dias, por não poder nem ao menos te contar que não está tudo tão bem como lhe apresentei?
Hoje recebi mais uma receita com mais 3 cápsulas diferentes pra coleção. Um coquetel de delírios, pra amenizar a dor, pra adiar a morte.
É um pouco contraditório, eu sei. Tomo os remédios prescritos, mas fumo o meu cigarrinho matinal e nas horas convenientes.
Corro pra que ninguém perceba que estou à beira do precipício. Dizem que correr faz bem. Pelo menos tento.
Poderia até pensar que você me ajudaria a ver o lado bom de tudo isso. Mas, eu duvido.
Tenho tanta saudade de quando era saudável, quando tinha você por perto.
Parece até castigo por ter te magoado no passado. Sofro de males intermináveis.
Pode até acabar, mas deve? Não preciso de muita ajuda pra desfalecer.
Um dia desses, tive parada cardíaca. Não vi nada dessas coisas de submundo, coisas do além, Deus ou espíritos.
Eu só dormi. Não era a hora de ver nada, de sentir nada, de ter mensagem nenhuma. A minha mente já não aguenta tanta força. O meu corpo não aguenta mais nada também.
Talvez eu devo fazer algo antes de ir. Algo que não tenho coragem: me perdoar.
Eu te vejo todos os dias e você mal sabe. Quase todos os dias. É que eu nunca vou saber qual será a última vez.
Eu imagino a sua vida perfeita, com tudo como planejado.
E o meu único plano é poder acordar e respirar por mais 24 horas.

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Oct 27 '12

Mais uma vez calada, desanimada, descontente.
Era só mais um dia cinza. O sol saiu pela tarde, pra dizer que existe, só por continência.
Não sabia mais quantos alucinógenos havia tragado, pra ter de volta a sensibilidade.
Receio que já não ouvia mais as próprias palavras, nem pelo pensamento. Tudo rodando.
Foi um giro sem fim. Aliás, teve um fim… Horas depois. Quando já era noite.
Foi tomar um banho, colocou uma calça jeans surrada, uma camiseta qualquer, aquele tênis predileto e saiu sem rumo. À procura de sabe-se lá o quê.
Seu celular com mais de 50 ligações perdidas de seu pai, ignorou e colocou de volta na bolsa.
Não comia algo decente há dias. Com os trocados que tinha, havia de escolher entre matar a fome ou o vício.
O vício que não cessava nunca, venceu disparadamente. A fome passou.
Foi até a Paulista, andou pra lá e pra cá, com o fone de ouvido bem alto, tragando seu 18° cigarro daquela noite.
Impaciente, entrou num bar. Pediu uma dose de bejame, tomou num gole só, à seco.
Amargurada pensava que a vida podia ser só isso, sem pausas.
Quando viu a hora, tomou um susto: 3:57.
Não tinha mais o que fazer ali, deixou as moedas em cima do balcão e sorriu pro garçom. Um sorriso tão forçado que até lhe deu dor de cabeça.
Na rua, as pessoas que ali estavam, gritavam, alguns vomitavam e tinha até uns que dormiam.
Desceu mais a Augusta, pra ver se encontrava o rapaz que já havia visto vender lisérgicos sem prescrição.
Não tinha mais um tostão, apenas 25 centavos.
Viu o rapaz e flertou. Flerte por um momento de êxtase. Sentiu a loucura pegar na tua mão. Abraçou o improvável. Olhou de volta pro rapaz.
Era um rapaz bonito e tava tão sorridente pelo horário, por conta do doce.
Com poucas palavras, ela o explicou que não tinha como pagar. Ele, muito paciente, disse que abriria uma exceção. Pediu algo em troca. Ela não entendeu direito, mas foi com ele até um hotel chinfrim que tinha ali por perto, sempre com prostitutas cumprindo o seu trabalho.
Sem muitos beijos, o rapaz só fez o necessário pra se satisfazer. Ela ofereceu seu penúltimo cigarro à ele e pegou o último.
Não falaram muitas coisas, apenas se apresentaram depois de um orgasmo e trocaram mais algumas palavras. Ele perguntou se queria ficar por ali até amanhecer, ela aceitou. Dormiram.

06:09 Acordou ainda cansada e em silêncio saiu do quarto, sem deixar recado. Ela saberia onde o encontrar.

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Oct 27 '12
Eu sinto como se cada parede do meu quarto tivesse uma história pra me contar, mas não tenho como entender. As paredes falam, sabia?
Sempre tive dúvidas sobre isso: Qual é o dialeto do silêncio? Porquê ninguém o entende?
É um som tão subversivo, inigualável. Precioso. Ou vergonhoso?
As situações no qual utilizamos o silêncio são tão controversos. E usamos até quando não entendemos. Silêncio às vezes levado pela ignorância, pelo vacilo e até por não ter o que dizer.
Silêncio faz parte da anatomia. Faz parte de nós.

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Oct 27 '12

Ela bate a porta do quarto. Silêncio.

Minutos depois, o sujeito do lado de fora, dá duas batidas leves na porta e espera. Nenhuma resposta. E então sussurrando perto da fechadura, começa a se desculpar:

“Foi erro meu, eu sei. Vim porque você me pediu. Eu bebi sim, com alguns amigos, inclusive com o Fernando, que você detesta. Mas não fiz pra atingir você, juro. Queria um tempo de respiro, de leveza, com meus amigos. Foi saudável, nada de mulheres. Eu não fazia isso há um bom tempo… Sempre você está comigo. Você também não passa uma tarde com suas amigas pra conversar? Eu estava na casa do Bruno, tinha tudo quanto é álcool, baseado e competição de videogame. Coisas de moleque. Abre a porta, vai… Eu sei que vim tarde e te deixei esperando… Me desculpa. Eu preciso de um tempo como amigo, senão deixo de ser eu. Você me conheceu desse jeito. Você é a melhor coisa que me aconteceu na vida. Tornou minha vida especial. Os meus amigos sempre vão rir da minha cara por ser desse jeito romântico, mas eu relevo, porque sou eu quem tenho você. Só não me trate mal por uma coisa que não faço sempre. Eu sempre estou do teu lado. E sempre vou estar. Eu só não quero que fiquemos sufocados. Tem que durar pra sempre, amor. Por favor… Abre, vai.”

Ele houve os passos em direção a porta. Ela abre. Olha pra ele, com um olhar cansado, e diz o abraçando:

“Eu tenho medo que você queira de volta todos os dias essa vida de solteiro. Que os amigos ligam e você sempre estará disponível. Eu tenho medo de perder você.”

Ele pega forte pelos braços dela e diz:

“Eu amo você! Não quero deixar nenhuma das duas vidas. Quero o lado bom das duas coisas. Quero você e a risada dos meus amigos. Eu não vou te deixar.”

“Me desculpa, sou paranoica mesmo.”

“Mas me ama?”

“Amo.”

“Então deve ser por isso.”

Ele sorri, ela também.

“Posso dormir aqui?”

“Tava te esperando.”

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Oct 27 '12
Eis que me aprecio com coisas inimagináveis. Seres estrondosos que me acalmam.
“Eu só sou mais um deste planeta que não tem coragem.”
Coragem. Já percebeu o quanto essa palavra tem um peso?
Quem não tem é abominado. Quem tem é adorado. Ambos são reconhecidos por tê-lo ou pela falta dele.
Eu até tenho coragem. Pra normalidade, pro neutro, pra certeza.
Não me garanto como corajosa, mas arrisco quando posso. O problema é isso: arriscar.
O que é coragem na frente da confiança?
Coragem não anda sem ela. Tem que estar selados.
Procure por uma pessoa sem autoconfiança e terás um covarde!

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Oct 26 '12
Você jamais estará disposto a ser assustadoramente feliz sem estar disposto a sofrer assustadoramente.
Gabito Nunes    (via in-perfeito)

(Source: ga-bi-to)

2,790 notes (via versificar & ga-bi-to)

Oct 25 '12
Mas a vida pode ser a tragédia que dá certo. Um pouco de loucura para espantar a timidez, afogue às magoas e a ilusória vida perfeita corrompida pela lucidez.
Mediante ao amor, tudo se repara.

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Oct 25 '12

As pessoas brincam com o amor e até se afastam dele depois de um mal uso alheio. Mas o amor não precisa ser bem alimentado, bem cuidado, pra sobreviver às custas de um mal criador. O amor vive até nos assassinos. Vêm da alma. Todo ser vivente, tem alma!

Alma seja ela pura ou totalmente o oposto. O amor anda por lá, fazendo caminhos diferentes dentro de nós mesmos, às vezes quer sair pelas narinas, pela boca, aí a vontade vem com um impulso e sai como um sopro, mas só sai o amor, não a matéria prima.
O amor não acaba, ele só precisa ser lapidado. As estacas de ódio que por muitas vezes vem junto da tristeza, se lascam com a bondade.
Quem não usa do amor, não sabe o quão bom é o perfume. É daqueles que não sabem como manusear. Sempre há de perecer uma alma no qual não expira o amor.

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Oct 25 '12
A vida é um poema, onde pode muito bem ser cantado, mas uns preferem declamar.

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Oct 25 '12

Pensa: Uma pedra que você lança no lago, quica umas três vezes antes de afundar…

O que você aprecia: O momento que você desapega, o momento que você observa a maravilha que é a gravidade ou a desistência?
Magnificamente vividos, os momentos são necessários.
Todos os momentos há de ser vividos, só não precisa ser nessa ordem.

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Oct 24 '12
E percebo que não importa onde eu esteja, seja em um quartinho repleto de idéias ou nesse universo infinito de estrelas e montanhas, tudo está na minha mente. Não há necessidade de solidão. Por isso, ame a vida como ela é e não forme idéias preconcebidas de espécie alguma em sua mente
— Jack Kerouac (via solanastar)

7 notes (via solanastar)

Oct 22 '12
Já pensou se tudo o que eu penso, eu fosse encalhar de ter alguém pra tomar como pensamento dela?

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Oct 22 '12
Eu tenho um certo problema. Toda vez que me sinto ameaçada, meu estômago dói. Aquele mesmo estômago que sente borboletas voarem dentro quando você aparece. Quanto clichê! As menininhas de hoje em dia vê romantismo em tudo isso. E os garotos também. Não tenho essa mania de ser tão brega. Aliás, tenho sim. Admito. Eu choro. Eu sinto falta. Eu se pudesse lhe mandaria flores. Arcaico e tão careta. Eu me entupo de doces vendo algum romance e chorando horrores, imaginando nós dois. Confesso, confesso… Confesso! Mas e daí? Eu às vezes penso se não fizesse tudo isso, aí você viria. É das moderninhas que eles gostam mulheres! Eu também ataco pra ter um homem por uma noite. A nossa carne é fraca. Há necessidades. E se eu disser que eu os trato como você faz? Me sinto limpa, apesar da pele vermelha, de tanto amar não amando. Eu vou testando cada olhar por aí, pra ver se encontro algum igual ao seu. Em verdade, vos digo: ele é a moldura. Moldura do que já me fez sentir. E às vezes até me confundo. É que eu imagino coisas que não vivemos, só pra deixar um pouco melhor a lembrança. Imagino nós num barco à vela, e mal fomos ao mar! Acho que te amei sim. Mas eu quero sentir de novo. Aí aparece um galante, que se diz querer-me até o fim da vida. E idealizei isso. E aí ele foi embora, olha só. Que vida!

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