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Mais uma vez calada, desanimada, descontente.
Era só mais um dia cinza. O sol saiu pela tarde, pra dizer que existe, só por continência.
Não sabia mais quantos alucinógenos havia tragado, pra ter de volta a sensibilidade.
Receio que já não ouvia mais as próprias palavras, nem pelo pensamento. Tudo rodando.
Foi um giro sem fim. Aliás, teve um fim… Horas depois. Quando já era noite.
Foi tomar um banho, colocou uma calça jeans surrada, uma camiseta qualquer, aquele tênis predileto e saiu sem rumo. À procura de sabe-se lá o quê.
Seu celular com mais de 50 ligações perdidas de seu pai, ignorou e colocou de volta na bolsa.
Não comia algo decente há dias. Com os trocados que tinha, havia de escolher entre matar a fome ou o vício.
O vício que não cessava nunca, venceu disparadamente. A fome passou.
Foi até a Paulista, andou pra lá e pra cá, com o fone de ouvido bem alto, tragando seu 18° cigarro daquela noite.
Impaciente, entrou num bar. Pediu uma dose de bejame, tomou num gole só, à seco.
Amargurada pensava que a vida podia ser só isso, sem pausas.
Quando viu a hora, tomou um susto: 3:57.
Não tinha mais o que fazer ali, deixou as moedas em cima do balcão e sorriu pro garçom. Um sorriso tão forçado que até lhe deu dor de cabeça.
Na rua, as pessoas que ali estavam, gritavam, alguns vomitavam e tinha até uns que dormiam.
Desceu mais a Augusta, pra ver se encontrava o rapaz que já havia visto vender lisérgicos sem prescrição.
Não tinha mais um tostão, apenas 25 centavos.
Viu o rapaz e flertou. Flerte por um momento de êxtase. Sentiu a loucura pegar na tua mão. Abraçou o improvável. Olhou de volta pro rapaz.
Era um rapaz bonito e tava tão sorridente pelo horário, por conta do doce.
Com poucas palavras, ela o explicou que não tinha como pagar. Ele, muito paciente, disse que abriria uma exceção. Pediu algo em troca. Ela não entendeu direito, mas foi com ele até um hotel chinfrim que tinha ali por perto, sempre com prostitutas cumprindo o seu trabalho.
Sem muitos beijos, o rapaz só fez o necessário pra se satisfazer. Ela ofereceu seu penúltimo cigarro à ele e pegou o último.
Não falaram muitas coisas, apenas se apresentaram depois de um orgasmo e trocaram mais algumas palavras. Ele perguntou se queria ficar por ali até amanhecer, ela aceitou. Dormiram.
06:09 Acordou ainda cansada e em silêncio saiu do quarto, sem deixar recado. Ela saberia onde o encontrar.
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Ela bate a porta do quarto. Silêncio.
Minutos depois, o sujeito do lado de fora, dá duas batidas leves na porta e espera. Nenhuma resposta. E então sussurrando perto da fechadura, começa a se desculpar:
“Foi erro meu, eu sei. Vim porque você me pediu. Eu bebi sim, com alguns amigos, inclusive com o Fernando, que você detesta. Mas não fiz pra atingir você, juro. Queria um tempo de respiro, de leveza, com meus amigos. Foi saudável, nada de mulheres. Eu não fazia isso há um bom tempo… Sempre você está comigo. Você também não passa uma tarde com suas amigas pra conversar? Eu estava na casa do Bruno, tinha tudo quanto é álcool, baseado e competição de videogame. Coisas de moleque. Abre a porta, vai… Eu sei que vim tarde e te deixei esperando… Me desculpa. Eu preciso de um tempo como amigo, senão deixo de ser eu. Você me conheceu desse jeito. Você é a melhor coisa que me aconteceu na vida. Tornou minha vida especial. Os meus amigos sempre vão rir da minha cara por ser desse jeito romântico, mas eu relevo, porque sou eu quem tenho você. Só não me trate mal por uma coisa que não faço sempre. Eu sempre estou do teu lado. E sempre vou estar. Eu só não quero que fiquemos sufocados. Tem que durar pra sempre, amor. Por favor… Abre, vai.”
Ele houve os passos em direção a porta. Ela abre. Olha pra ele, com um olhar cansado, e diz o abraçando:
“Eu tenho medo que você queira de volta todos os dias essa vida de solteiro. Que os amigos ligam e você sempre estará disponível. Eu tenho medo de perder você.”
Ele pega forte pelos braços dela e diz:
“Eu amo você! Não quero deixar nenhuma das duas vidas. Quero o lado bom das duas coisas. Quero você e a risada dos meus amigos. Eu não vou te deixar.”
“Me desculpa, sou paranoica mesmo.”
“Mas me ama?”
“Amo.”
“Então deve ser por isso.”
Ele sorri, ela também.
“Posso dormir aqui?”
“Tava te esperando.”
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(Source: ga-bi-to)
2,790 notes (via versificar & ga-bi-to)
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As pessoas brincam com o amor e até se afastam dele depois de um mal uso alheio. Mas o amor não precisa ser bem alimentado, bem cuidado, pra sobreviver às custas de um mal criador. O amor vive até nos assassinos. Vêm da alma. Todo ser vivente, tem alma!
Alma seja ela pura ou totalmente o oposto. O amor anda por lá, fazendo caminhos diferentes dentro de nós mesmos, às vezes quer sair pelas narinas, pela boca, aí a vontade vem com um impulso e sai como um sopro, mas só sai o amor, não a matéria prima.
O amor não acaba, ele só precisa ser lapidado. As estacas de ódio que por muitas vezes vem junto da tristeza, se lascam com a bondade.
Quem não usa do amor, não sabe o quão bom é o perfume. É daqueles que não sabem como manusear. Sempre há de perecer uma alma no qual não expira o amor.
Pensa: Uma pedra que você lança no lago, quica umas três vezes antes de afundar…
O que você aprecia: O momento que você desapega, o momento que você observa a maravilha que é a gravidade ou a desistência?
Magnificamente vividos, os momentos são necessários.
Todos os momentos há de ser vividos, só não precisa ser nessa ordem.
7 notes (via solanastar)
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